Em que momento um objeto deixa de ser um objeto usado e passa a ser uma antiguidade?
Seria quando completa cem anos?
Quando deixa de ser fabricado?
Quando se torna raro?
Ou quando alguém passa a enxergá-lo de outra maneira?
Nenhuma dessas respostas, isoladamente, parece suficiente.
É verdade que, de forma geral, convencionou-se chamar de antiguidades os objetos com mais de cem anos. Os produzidos mais recentemente, mas que representam o estilo e a produção de sua época, costumam ser classificados como vintage.
Essa classificação é útil. Mas ela organiza os objetos apenas pelo tempo. E o tempo, sozinho, explica muito pouco sobre o interesse que uma peça desperta.
Porque ninguém se encanta por uma porcelana ou faiança apenas ao descobrir sua idade.
Uma peça produzida em 1975 pode despertar muito mais interesse do que outra feita em 1890. Não porque seja mais antiga, mas porque representa um momento específico de uma manufatura, uma coleção produzida por poucos anos ou um modo de fazer que deixou de existir.
É por isso que colecionadores raramente perguntam apenas "quantos anos ela tem?".
Eles querem saber quem a produziu. Em que contexto. O que aquele selo revela. Quantas mãos participaram da sua fabricação. Como ela conseguiu atravessar tantas décadas até chegar aos dias de hoje.
É aí que a classificação cronológica deixa de ser suficiente. O calendário organiza os objetos. O interesse do colecionador reorganiza essa classificação.
A diferença entre um objeto antigo e uma antiguidade pode não estar apenas no calendário.
Um objeto qualquer apenas envelhece.
Algumas peças, porém, continuam despertando interesse muito depois que sua função original deixou de ser necessária.
O tempo pode tornar um objeto antigo. Mas não é ele, sozinho, que faz uma peça continuar sendo lembrada.
Talvez seja justamente isso que o tempo faz de mais bonito: não transforma um objeto em antiguidade. Apenas revela quais deles continuam tendo algo a dizer.
Um abraço,
Andressa Schrank
Curadoria Pequena Belém
